A OCDE publicou o Global Corporate Sustainability Report 2025, um relatório que analisa a evolução das práticas de sustentabilidade empresarial entre empresas cotadas a nível global e a forma como estas estão a implementar as recomendações relacionadas com sustentabilidade constantes dos Princípios de Governo das Sociedades do G20/OCDE.
O relatório examina, em particular, dimensões como a divulgação de informação sobre sustentabilidade, o diálogo entre accionistas e empresas, as responsabilidades dos conselhos de administração e o envolvimento das partes interessadas, oferecendo um conjunto abrangente de dados destinados a apoiar legisladores, reguladores e participantes de mercado.
Baseado numa amostra de mais de 44.000 empresas cotadas, representando cerca de 125 biliões de dólares de capitalização bolsista, o estudo apresenta uma visão global da evolução das práticas de governação, transparência, remuneração executiva e investimento em investigação e desenvolvimento ambiental.
Entre as principais conclusões destacam-se:
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Crescente divulgação de informação ESG, com empresas que representam 91% da capitalização bolsista globala publicarem informação sobre sustentabilidade (face a 86% em 2022);
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Maior reporte de emissões de gases com efeito de estufa, com empresas que representam 88% da capitalização global a divulgarem emissões de Scope 1 e Scope 2, e 76% a reportarem pelo menos uma categoria de Scope 3;
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Crescente convergência de normas de reporte, com ampla utilização de referenciais como os GRI Standards, TCFD e SASB, bem como progressiva adopção das normas IFRS S1 e S2 do ISSB;
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Integração gradual da sustentabilidade nos mecanismos de governação, incluindo a ligação entre remuneração executiva e objectivos ESG, ainda que esta prática se mantenha relativamente limitada a nível global.
O relatório dedica ainda particular atenção ao sector energético, responsável por uma parte significativa das emissões globais divulgadas, evidenciando progressos na transparência mas também algumas desconexões entre compromissos ambientais e decisões de investimento.
No seu conjunto, o relatório evidencia progressos significativos na transparência e na adopção de referenciais comuns, sublinhando, contudo, a necessidade de aprofundar a ligação entre compromissos de sustentabilidade e decisões estratégicas, de modo a apoiar a transição para modelos empresariais mais sustentáveis e resilientes.